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segunda-feira, 4 de maio de 2009




Aquele que amo
Disse-me
Que precisa de mim.

Por isso
Cuido de mim
Olho meu caminho
E receio ser morta
Por uma só gota de chuva.

Bertold Brecht


terça-feira, 28 de abril de 2009



I do not love you


"Eu não te amo como se fosses uma rosa de sal, ou um topázio
(...)
Eu amo-te da forma como certas coisas obscuras devem ser amadas,
Em segredo, entre a sombra e a alma.
Eu amo-te como a planta que nunca floresce,
Mas que carrega consigo a luz de flores escondidas.
(...)
Eu amo-te sem saber como, ou quando, ou de onde,
(...)
Eu amo-te desta maneira,
Porque não conheço outra maneira de amar
A não ser esta, em que não há eu nem tu,
Tão íntima que a tua mão no meu peito é a minha mão,
Tão íntima... que quando eu adormeço,
São os teus olhos que se fecham."

Pablo Neruda



sábado, 18 de abril de 2009



Minha vida não é essa hora abrupta
Em que me vês precipitado.
Sou uma árvore ante meu cenário;
Não sou senão uma de minhas bocas:
Essa, dentre tantas, que será a primeira a fechar-se.

Sou o intervalo entre as duas notas
Que a muito custo se afinam,
Porque a da morte quer ser mais alta…

Mas ambas, vibrando na obscura pausa,
Reconciliaram-se.
E é lindo o cântico.

Rilke Maria

terça-feira, 14 de abril de 2009

Harmonia da Tarde

http://www.overmundo.com.br/_banco/multiplas/1234149307_mar_de_setembro.jpg

Chegado é o tempo em que, vibrando o caule virgem,
Cada flor se evapora igual a um incensório;
Sons e perfumes pulsam no ar quase incorpóreo;
Melancólica valsa e lânguida vertigem!
.
Cada flor se evapora igual a um incensório;
Fremem violinos como fibras que se afligem;
Melancólica valsa lânguida vertigem!
É triste e belo o céu como um grande oratório.
.
Freme violinos como fibras que se afligem,
Almas ternas que odeiam o nada vasto e inglório!
É triste e belo o céu como um grande oratório;
O sol se afoga em ondas que de sangue o tingem.
.
Almas ternas que odeiam o nada vasto e inglório
Recolhem do passado as ilusões que o fingem!
O sol se afoga em ondas que de sangue o tingem...
Fulge a tua lembrança em mim qual ostensório!

Charles Baudellaire

quarta-feira, 1 de abril de 2009

Dia de Outono




Senhor: é mais que tempo.
O verão foi muito intenso
Lança a tua sombra sobre
os relógios do sol
e por sobre as padrarias
desata os teus ventos

Ordena às últimas frutas
que fiquem maduras;
dá-lhes ainda uns dois dias de calor,
leva-as à completude e
não deixes de por no vinho pesado
sua última doçura.

Quem não tem casa
não a irá mais construir.
Quem está sozinho,
vai ficá-lo ainda mais.
Insone... há de ler,
escrever cartas torrenciais
e correr as aléias num inquieto ir e vir
enquanto o vento carrega
as folhas outonais.


Rainer Maria Rilke

segunda-feira, 23 de março de 2009


DESPEDIDA


Se eu morrer,
deixai o balcão aberto.

O menino chupa laranjas.
(Do meu balcão eu o vejo.)

O segador sega o trigo.
(Do meu balcão eu o sinto.)

Se eu morrer,
deixai o balcão aberto!




Federico GARCIA LORCA – Canções

sábado, 28 de fevereiro de 2009




Encontro


Vou chegar tarde ao encontro marcado,
cabelos já grisalhos. Sim, suponho
ter-me agarrado à primavera, enquanto
via você subir de sonho em sonho.

Vou carregar esse amargo – por largo
tempo e muitos lugares, de penedos
a praças (como Ofélia – sem lámurias)
por corpos e almas – e sem medos!

A mim, digo que viva; à terra, gire
com sangue no bosque e sangue corrente,
mesmo que o rosto de Ofélia me espie
por entre as relvas de cada corrente,

e, amorosa sedenta, encha a boca
de lodo – oh, haste de luz no metal!
Não chega este amor à altura do seu
amor ... Então, enterre-me no céu!


Marina Tsvetáieva - (tradução de Décio Pignatari)


quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

Só amanhã....

http://www.buscatematica.net/imagens/crianca-2.jpg

“Amanhã fico triste… amanhã!
Hoje o…

Hoje fico alegre!
E todos os dias, por mais amargos
que sejam, eu digo:

Amanhã fico triste, hoje não…”

(Poema encontrado em língua yiddish na parede de um dos dormitórios de crianças do campo de extermínio nazista de Auschwitz)

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

Meu slogan e o do Sol


“Brilhar para sempre,
brilhar como um farol,
brilhar com brilho eterno,
gente é para brilhar,
que tudo mais vá para o inferno,
este é o meu slogan
e o do Sol”


(Maiakóvski)

sexta-feira, 17 de outubro de 2008

Balada das coisas sem importância

Conheço se há moscas no leite,

Conheço pela roupa o homem,

Conheço o tédio e o deleite,

Conheço a fartura e a fome,

Conheço a mulher pelo enfeite,

Conheço o princípio e o fim,

Conheço pela chama o azeite,

Conheço tudo, menos a mim.

Conheço o gibão pela gola,

Conheço o rico pelo anel,

Conheço o fiel pela sacola,

Conheço a monja pelo véu,

Conheço o porco pela tripa,

Conheço o irmão pelo latim,

Conheço o vinho pela pipa,

Conheço tudo, menos a mim.

Conheço a mula e o cavalo,

Conheço o carro e a carreta,

Conheço a galinha e o galo,

Conheço o sino e a sineta,

Conheço a flor pelo talo

Conheço Abel e Caim,

Conheço o pote e o gargalo,

Conheço tudo, menos a mim.

Ofertório

Príncipe, conheço tudo em suma,

Conheço o branco e o carmim,

E a morte que o fim consuma.

Conheço tudo, menos a mim.

François Villon traduzido por Ferreira Gullar

sexta-feira, 5 de setembro de 2008

MAXILAR TRISTE

Suave curva dolorosa

atenuando o bordo rijo

desse rosto derradeiro

de brancura infinita.

Impugnando-lhe a doçura,

a antinomia do tempo

acentuará os duros ângulos

num mapa de tristeza

irreparável. O sorriso

vago nela projecta um

brilho fosco de loiça antiga:

espreitando na carne

os dentes anunciam o resto.


Rui Knopfli


TRISTE MANDÍBULA

Suave curva dolorosa

atenuando el bordo duro

de ese rostro anterior

de blancura infinita.

Impugnándole la dulzura,

la antinomia del tiempo

acentuará los duros ângulos

en un mapa de tristeza

irreparable. La sonrisa

vaga proyecta en ella um

brillo oscuro de loza antigua:

vigilando en la carne

los dientes anuncian el resto.

RUI KNOPFLI

(1932-1997)

Poemas publicados originalmente en la revista HORA DE POESIA, n. 19-20, Barcelona, sin fecha.


Tenho o meu pequeno tratado de sociologia,

uma sociologia de horizontes modestos.

Ponho-me a remorder

continentes, povos, hábitos e costumes,

mas a minha sociologia não

passa disto,

uma sociologia de esquinas.

Da malta e das esquinas,

e tudo muito limitado.

Vem antes de mim

e irá para além um pedaço.

Antes, era o grupo do Jacaré,

a geração que me precedeu.

Vinham. como sempre, após os estudos,

por volta das cinco da tarde,

um a um,

sentar-se na dobra do passeio, à esquina,

alguns inda vinham da geração anterior.

Agora outro grupo, outra esquina,

outros nomes (alguns ainda se sentaram

à minha beira).

As coisas mudam muito,

mas nesta essencialidade

a malta permanece.

E, ainda,

com a brisa da tarde a cair,

se vêm sentar na borda do passeio,

à esquina.

Eu aqui mordo-me de lembranças

e saudades,

faço esta sociologia

e nunca mais, com a brisa da tarde a cair,

me irei sentar na borda do passeio,

à esquina...


Rui Knopfli

domingo, 31 de agosto de 2008

O PREÇO DA EXPERIÊNCIA

A imagem “http://img.olhares.com/data/big/76/768349.jpg” contém erros e não pode ser exibida.


Qual é o preço da experiência? Os homens a adquirem com uma canção?
Ganham sabedoria dançando nas ruas? Não, ela é comprada pelo preço
De tudo que um homem tem, sua moradia, sua esposa, seus filhos.
A sabedoria é vendida num mercado sombrio onde ninguém vem comprar,
E no campo infecundo que o fazendeiro lavra em vão por seu pão.

É fácil vencer sob o sol do verão
E na colheita cantar na carroça abarrotada de grãos.
É fácil dizer da cautela aos aflitos,
Falar das leis da prudência ao andarilho sem abrigo,
Ouvir o grito faminto do corvo na estação invernal
Quando o sangue vermelho mistura-se ao vinho e ao tutano do cordeiro

É tão fácil sorrir perante a ira da natureza,
Ouvir o uivo do cão ante a porta no inverno, e o boi mugindo no matadouro;
Ver um deus em cada brisa e uma bênção em cada tempestade.
Ouvir o som do amor no raio que arruína a casa do inimigo;

Regozijar-se diante da praga que toma o seu campo, e da doença que ceifa seus filhos,
Enquanto nossas oliveiras e nosso vinho cantam e riem na frente da porta,
e nossos filhos nos trazem frutas e flores.
Então o lamento e a dor estão quase esquecidos, assim como o escravo que roda o moinho,

E o escravo acorrentado, o pobre prisioneiro, e o soldado no campo de batalha
Quando os ossos quebrados deixam-no gemendo à espera da morte feliz.
É fácil regozijar-se sob a tenda da prosperidade:
Eu poderia cantar e me regozijar dessa maneira: mas eu não sou assim.

Willian Blake


Deixa



Deixa que o vento do oeste
Adormeça sobre o lago
Fala em silencio com os teus
Luminosos olhos
Banha de prata o crepúsculo
E de repente
Te retiras enquanto enfurece
O lobo
E o leão o escuro bosque espreita

Willian Blake


quarta-feira, 27 de agosto de 2008


What is Life?
Samuel Coleridge

Resembles Life what once was held of Light,
Too ample in itself for human sight ?
An absolute Self--an element ungrounded--
All, that we see, all colours of all shade

By encroach of darkness made ?--
Is very life by consciousness unbounded ?
And all the thoughts, pains, joys of mortal breath,
A war-embrace of wrestling Life and Death ?


Que é Vida?

Parece Vida o que foi em Luz possuído,
Em si tão vasta para ter humano visto?
Um Si absoluto – um elemento arborecente–
Tudo, que vemos, todos matizes de todas cores

Feito pela escuridão em estertores? –
É a mesma vida pela consciência onipresente?
E os pensares, dores e gozos do que respira
Uma peleja da luta entre Morte e Vida?


terça-feira, 26 de agosto de 2008


Outono

Como a floresta, faz de mim a tua lira
importa que também as minhas folhas caiam
o tumulto das tuas poderosas harmonias
virá arrancar-nos

um som profundo do Outono
suave, apesar da sua tristeza


Percy Bysshe Shelley


domingo, 24 de agosto de 2008


Rir é arriscar-se a parecer doido,
Chorar é arriscar-se a parecer sentimental,
Estender a mão é arriscar-se a comprometer-se,
Mostrar os seus sentimentos é arriscar-se a se expor,
Dar a conhecer as suas idéias, os seus sonhos, é arriscar-se a ser rejeitado,
Amar é arriscar-se a não ser retribuído no amor,
Viver é arriscar-se a morrer,
Esperar é arriscar-se a desesperar,
Tentar é arriscar-se a falhar,
Mas devemos nos arriscar !
O maior perigo na vida está em não arriscar.
Aquele que não arrisca nada

- Não faz nada !

- Não tem nada !

- Não é nada !

Rudyard Kipling

quinta-feira, 14 de agosto de 2008


Sonnet 1
William Shakespeare

From fairest creatures we desire increase,
That thereby beauty’s rose might never die,
But as the riper should by time decease,
His tender heir might bear his memory:
But thou, contracted to thine own bright eyes,
Feed’st thy light’s flame with self-substantial fuel,
Making a famine where abundance lies,
Thyself thy foe, to thy sweet self too cruel
Thou that art now the world’s fresh ornament
And only herald to the gaudy spring,
Within thine own bud buriest thy content
And, tender churl, mak’st waste in niggarding.
Pity the world, or else this glutton be,
To eat the world’s due, by the grave and thee.

Soneto 1
Tradução: Ivo Barroso

Dos seres ímpares ansiamos prole
Para que a flor do belo não se extinga,
E se a rosa madura o Tempo colhe,
Fresco botão sua memória vinga.
Mas tu, que só com os olhos teus contrais,
Nutres o ardor com as próprias energias
Causando fome onde a abundância jaz,
Cruel rival, que o próprio ser crucias.
Tu, que do mundo és hoje o galardão,
Arauto da festiva Natureza,
Matas o teu prazer inda em botão
E, sovina, esperdiças na avareza.
Piedade, senão ides, tu e o fundo
Do chão, comer o que é devido ao mundo

sábado, 12 de julho de 2008

Glória de Sant'Anna - Eu canto...


Eu canto as gentes vivas e as ausentes
as coisas por fazer ou já desfeitas
as empenas das casas levantadas
as empenas das casas esqueléticas

o vento a flor a pedra a dor a chuva
o perfil a palavra a mão a fome
o verme o pássaro o insecto a nuvem
e o mar e o grito e o pão que o tempo absorve

mas sobre tudo eu canto aí sobre tudo
este morrer de amar cada segundo
horizontes por que me desfiguro
à mortal palidez de um céu inútil.


segunda-feira, 9 de junho de 2008

Lado Lunar


Não me mostres o teu lado feliz
A luz do teu rosto quando sorris
Faz-me crer que tudo em ti é risonho
Como se viesses do fundo de um sonho
Não me abras assim o teu mundo
O teu lado solar só dura um segundo
Não é por ele que te quero amar
Embora seja ele que me esteja a enganar
Toda a alma tem uma face negra
Nem eu nem tu fugimos à regra
Tiremos à expressão todo o dramatismo
Por ser para ti eu uso um eufemismo
Chamemos-lhe apenas o lado lunar
Mostra-me o teu lado lunar
Desvenda-me o teu lado mausão
O túnel secreto a loja de horrores
A arca escondida debaixo do chão
Com poeira de sonhos e ruínas de amor
Eu hei-de te amar por esse lado escuro
Com lados felizes eu já não me iludo
Se resistir à treva é um amor seguro
À prova de bala à prova de tudo
Mostra-me o avesso da tua alma
Conhecê-lo e tudo o que eu preciso
Para poder gostar mais dessa luz falsa
Que ilumina as arcadas do teu sorriso
Não é por ela que te quero amar
Embora seja ela que me vai enganar
Se mostrares agora o teu lado lunar
Mesmo às escuras eu não vou reclamar

Rui Veloso - Lado Lunar

 
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