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sexta-feira, 20 de junho de 2008

Ronnie Ronn - 03 anos de amizade e fidelidade




Sobre as “grandes palavras” do vernáculo como, amor, ódio, esperança, virtude, honestidade, patriotismo etc, sempre podemos encontrar exemplos edificantes na história da humanidade, mas para fidelidade nada, ninguém, nenhuma coisa, nenhum bicho, nenhum homem encarna tão perfeitamente e com tanta justiça o significado dela como o cão.

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Meu Ronnie fez tres aninhos.
Ele me faz muito bem: melhorou meu humor e minhas crises de ansiedade foram-se embora.


Parabéns Roninho, muitos ossinhos na vida.

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T
er um bicho de estimação é bom para a saúde. Especialistas concordam com isso. Entre outras pesquisas que comprovam tal resultado, na década de 1970, nos Estados Unidos, foi realizado o primeiro estudo que constatou a influência positiva dos animais na recuperação de enfartados, já que é grande o risco de um novo e fatal problema cardíaco nos 12 meses seguintes àção. Concluiu-se que aqueles que tinham bichinho de estimação permaneceram vivos e saudáveis. Os principais benefícios físicos documentados foram a diminuição da pressão arterial e o relaxamento.

Os efeitos psicológicos, entre idosos, por exemplo, também é comprovado. As pessoas dessa faixa etária se sentem úteis e responsáveis pelo bicho, o que pode até mesmo melhorar a auto-estima. Essa convivência pode retardar o aparecimento de enfermidades. O mesmo é verificado com crianças.

domingo, 27 de abril de 2008

Crônica - Crianças defenestradas


Alguém poderia questionar o título desse artigo no plural, afinal foi uma só criança que foi arremessada pela janela. Pobre Isabella.

Não, não foi uma só criança que foi defenestrada. Milhares de crianças foram e estão sendo defenestradas socialmente.Como assim?

A "defenestração social" não consiste na agressão física propriamente dita de jogar pela janela, que é ostensiva, visível, que causa as vezes clamor social. E a violência silenciosa, perpetrada a luz do dia, aos olhos da sociedade e das autoridades . É a mais difícil de se combater.

E só parar no semáforo e olhar, que vamos perceber mais de uma dezena de crianças que embora est4ejam ali fisicamente foram defenestradas pelas janelas do desamparo, da paternidade irresponsável, foram defenestradas pelas suas familias - provavelmente, famílias de desempregados - pelas autoridades omissas, foram defenestradas pela sociedade, e por nós que diligentemente fechamos o vidro de nosso carro quando alguma delas de nós se aproxima.
Crianças de rua, cidadãos da exclusão social. Defenestrados, sem escola, sem saude,...Ouvi recentemente uma estatística estarrecedora: a cada dois dias morrem cinco crianças vítimas de violencia. Ou seja, morrem defenestradas pelas janelas do desamor da desagregação familiar.

Quantas crianças vitimas de pedofilia e da prostituição? Suas pureza, inocência, equilibrio psicológico defenestrados pelas janelas da imoralidade, da corrupção e, da impunidade.

E que dizer do trabalho infantil? Crescimento fisico, intelectual, arremessados, esmagados, futuro, perspectivas , sonhos, possibilidades, defenestrados pela ganancia do ganho fácil, do descaso público.

O drama das Isabellas - Nardoni e Taynara - mexe conosco, nos envergonha, nos comove. Milhares de pessoas se reuniram e a uma só voz pediram justiça em favor de Isabella Nardoni. Sim, queremos justiça para as Isabellas, João Helio, Marias, Teresas, Ariadnes, Julias, Pedros, Toninhos. Queremos justiça para todas as crianças que morreram vitimadas por acidentes de trânsito, balas "perdidas", pela sanha de uma madrasta ciumenta, ou de um pai impulsivo. Queremos justiça pelas crianças que foram dizimadas pela dengue. “Quem está morrendo hoje? Com o avanço da doença, são as crianças, porque elas nasceram e não são imunes. Isso vira um pânico social, as pessoas ficam angustiadas. Quem será o próximo, qual será a próxima criança que vai morrer?”, alertam os médicos.

Queremos justiça, principalmente, para aquelas que embora defenestradas, ainda lhes restam um sopro de vida. Talves, ainda dê tempo de salvar seus intelectos, suas potencialidades . Quem sabe a cura do cancer, da aids, a invenção de um novo combustivel não poluente, um novo meio de produção de alimentos, ou uma invenção de uma tecnologia tão avançada para o bem da humanidade, venha exatamente de uma dessas crianças "defenestradas".

Mas cada um de nós pode contribuir de algum modo quais sejam: denunciando, cobrando das autoridades providencias, não podemos é ficar inertes frente ao grave mal.

Para mudar, o primeiro passo é rever a forma de olhar. Na lição do eminente procurador de Justiça do Estado do Paraná Dr. OLIMPIO DE SÁ SOTTO MAIOR NETO “A questão da infância e juventude não deve ser encarada sob o prisma jurídico, mas do ponto de vista social”.

Citando o sociólogo Herbert de Souza, o Betinho: "Quando uma sociedade deixa matar suas crianças é porque começou seu suicídio como sociedade", ou ainda esse belo poema: "Se não vejo, na criança, uma criança, é porque alguém a violentou antes e o que vejo é o que sobrou de tudo que lhe foi tirado. Mas esta que vejo na rua sem pai, sem mãe, sem cama, sem casa e comida, essa que vive a solidão das noites sem gente por perto, é um grito, é um espanto. Diante dela, o mundo deveria parar para começar um novo encontro, porque a criança é o princípio sem fim e o seu fim é o fim de todos nós".


Autor: Roselee Salles

quarta-feira, 23 de abril de 2008

Poetrix - Elefante e aliá - (INFANTIS)


Elefante, ah, ah,

Só o macho, a fêmea

Se chama aliá.

Roselee Salles

terça-feira, 22 de abril de 2008

Poetrix - Zebra (*infantis)


Zebra é um bicho
muito engraçado:
só veste listrado!

Roselee Salles

domingo, 13 de abril de 2008

dia internacional do beijo


Este domingo (13) é o Dia Mundial do Beijo. E há maneira melhor de se comemorar uma data tão importante do que beijando muito?

Beijar, atividade que envolve 29 músculos, queima calorias e libera a serotonina, hormônio do bom-humor.

É claro que há algumas doenças que podem ser transmitidas pelo beijo na boca, como sifílis, herpes e uma série de infecções bacterianas. “Mas são um pouco mais difíceis. A mais comum de ser transmitida é a mononucleose, que é até conhecida como ‘a doença do beijo’”, afirma o médico.

Beijar faz bem para o coração. É o que defende Denise Knowles uma terapeuta e sexóloga britânica, que afirma que beijar pode ser uma das maneiras para combater a depressão,o beijo pode ser uma maneira fácil e rápida de obter um pouco de bem-estar a curto prazo. Isso porque beijar, como qualquer atividade física, ativa a liberação de endorfinas no cérebro, substância ligada às sensações de prazer. E, convenhamos, beijar é muito mais interessante que correr na esteira.

E você já beijou hoje?

sábado, 12 de abril de 2008

Crônica - Em busca do tempo perdido

Com mil perdões Marcel, eu também ando em busca do tempo perdido, embora saiba que jamais o encontrarei. Mesmo assim tenho vivido em dois mundos: interior, graças a uma série de reminiscências, e mundo exterior, graças a contemplação no espelho do meu rosto envelhecido .
....
Acordo, encho um copo com água, pego meu remédio para hipertensão, tomo um gole de água e não me lembro se tomei ou não a capsula do bendito remédio. Volto ao quarto para pegar meus óculos, no meio do corredor desisto, é que não lembro mesmo o que ia buscar no quarto.Volto ao quarto, acho que era a Revista Veja dessa Semana que eu ia pegar. Pego a revista e como não consigo ler sem óculos, lembro-me que eram os óculos o objetivo primeiro da minha incursão ao quarto.

Engraçado como minhas filhas (que têm menos da metade da minha idade) vivem me perguntando nomes e confirmação de fatos que ocorreram no passado, e eu quase sempre me lembro.

- Mãe como era o nome da menina rica daquela novela Parque de Diversão.
- O nome da menina é Maria Joaquina e o nome da Novela é Carrossel.
- Ai, como eu tenho saudade da minha infância, da Escola....
- A Escola, esta sim, era Escola Parque.
- Lembra mãe do primeiro livro que li...
- Claro que lembro: De onde vem os bêbes.
- Eu com cinco anos já queria saber de onde vinham os bêbes?
- Não, você queria saber o que era "camisinha", o que era AIDS.
Quanto mais antiga a informação, mais precisa a minha resposta. Porém, mais interessantes são as lembranças que acontecem espontaneamente. Pois é, as vezes uma frase, um som , um odor me fazem viajar na máquina do tempo. Não, não é para o futuro que viajo, e para o passado, para um tempo distante. O pior é que tem acontecido com mais freqüencia do que eu poderia desejar.
Hoje, não sei nem porquê , comecei timidamente a cantarolar uma velha canção, depois já confiante cantei todinha, não esqueci nem uma palavrinha!!!!.
Eis a canção, velha canção, certamente tem mais de cinqüenta anos:

Quero beijar-te as mãos
Minha querida
Senta junto de mim
Vem, por favor
És o maior enlevo
Da minha vida
És o reflorir do meu amor
Sinto nesta ansiedade
Que minha alma invade
Que me faz sofrer
A luz de um divinal querer
Eterna glória de viver
Se tu me quiseres tanto
Quanto eu que vivo
Para te adorar
Será um mundo de esplendor
O nosso amor
Amor, nosso amor.

Enquanto cantava aconteceu um flash back: me ví e a minha prima da mesma idade, numa sala com minha mãe e outros adultos; cantávamos, eu a minha prima, a canção acima. Os adultos se divertiam com a apresentação musical. Alguém comentou que era muito raro decorar palavras tão difíceis para crianças de quatro anos.
Ah, eu tinha quatro anos...
Meu medo é na próxima "viagem" ir para um tempo tão remoto, tão remoto, que me impeça de achar o caminho de volta....
Só o Dr Sig prá explicar...

Roselee Salles

segunda-feira, 7 de abril de 2008

Uma Rosa Azul


Eu quero uma rosa
uma rosa singular
Uma rosa azul, mimosa
da cor das aguas do mar.

Eu quero uma rosa
Uma rosa azulada
Da cor dos miosótis
Uma rosa orvalhada.

Nas veias da nobreza
Azul é o sangue que flui
Eu quero uma rosa azul
Com selo "True blue".

A minha rosa azul,
Ainda há de florescer
Hei de vê-la bela, airosa
Antes do meu anoitecer.

Roselee Salles

..........................................................................
O que era apenas um sonho, um símbolo do impossível, transformou-se realidade. O Japão, ah os japoneses, deu ao mundo a primeira rosa azul. As pétalas são de um azul quase lilás. Os cientistas implantaram enzimas que produzem o pigmento delfinidin, comum em outras flores azuis, mas não nas rosas. A flor também recebeu genes retirados das pétalas do amor-perfeito. A primeira rosa azul do mundo é um sonho realizado.

quinta-feira, 3 de abril de 2008

crônica - Ana Cañas - Dios existe!


Assisti pela terceira ou quarta vez entrevista com a cantora Ana Cañas.

É um encanto essa menina, jovem (27 anos), bonita, talentosa, carismática, e dona de uma voz melodiosa. Uma diva.

O excelente disco de estréia de Ana Cañas prima por ser autoral, e sua poderosa voz de contralto fez dela uma das grandes descobertas recentes da música brasileira. Antes mesmo de gravar o primeiro disco, já era apreciada por gente famosa como Chico Buarque, Toquinho, Nelson Jobim .

Ana é formada em artes cênicas, talvez por isso interpreta suas canções de forma tão peculiar.

A proposito Ana quer dizer Graça. É isso que ela é .... e prova que Dios existe.....


Letras de Ana Cañas

Eu e meus amigos - contos minimalistas



Beto comprou uma cobertura de 400m.

Sônia é promotora.

Teresa, próspera comerciante.

Dilza está viajando. Gozando a aposentadoria.

Paulo é o unico dono de uma faculdade.

Eu? Também cresci.... mês que vem submeto-me a
uma cirurgia bariátrica !
Roselee Salles

terça-feira, 1 de abril de 2008

Manhãs de sonho, ou fuga, ou nos braços de Morfeu- conto minimalista




Recebeu a noticia da morte da mãe pela mãnha.
Desde então dorme tarde e acorda após as doze horas. Não tem mais surpresas nas primeiras horas do dia.
Suas manhãs são de sonhos.


Paulinho - conto minimalista


Tinha quarenta e sete anos.
Solteiro e esquizofrênico.
A ninguém transmitiu sua herança genética.
A pensão previdenciária, sim
.

domingo, 30 de março de 2008

Mãos de dama


Era época de ferias e o Tio Rique que só tinha dois filhos homens e já adultos, gostava muito que as sobrinhas passassem ferias em sua casa. Gostava especialmente da mais nova. Waleska, a menor, tinha cabelos loiros encarocolados, Rosemarie tinha cabelos loiros porém lisos. Eram primas. Tio Rique expressava sua preferência pelos cabelos cacheados, parece um anjinho de calendário repetia. Rosemarie não se incomodava com os elogios à prima menor, preferia seus cabelos lisos, não precisava amarrá-los, de manhã quando acordava estavam quase penteados. As duas meninas de seis e nove anos ladeavam o tio Henrique, estavam sentados em uma rede. Tio Rique segura as mãozinhas de Waleska e diz: tens lindas mãos, dedos finos e longos, mãos de dama. Rosemarie, olha suas mãos pequenas, dedos curtos e roliços, fica visivelmnte acanhada. Tio Rique tenta reparar: suas mãos também são bonitinhas, curtinhas, parecem de uma bonequinha.Rosemarie guardou o comentário em seu intimo por toda a vida.
A vida separou as meninas. Quinze anos depois se encontram.Rosemarie está gravida pela primeira vez, suas mãos edemaciadas parecem mais ainda com mãos de boneca. Rosemarie repara que Waleska está envelhecida, tem expressão cansada, os cabelos alisados não lhe conferem mais ares angelical.
- Então Waleska que tens feito da vida?
- Filhos, muitos filhos.
- Não sabias que tinhas casado.
- Não, não casei...
- Mas, tens quantos filhos?
- Cinco filhos, um com cinco anos, outro de quatro, três, dois, e ultimo que ainda vai fazer um ano. Comecei aos 14 anos e não parei mais...
-Rosemarie olha as mãos de Waleska, seus dedos ainda são finos e longos. Mãos de dama.
Só as mãos...


Roselee Salles

sábado, 29 de março de 2008

Quatro "Esses"


Solano e Sônia se apaixonaram e se casaram. Almas gêmeas, diziam, feitos um para o outro. Dava gosto vê-los juntinhos, apaixonados.

O enxoval bordado à mão com o "esse" repetido lembrava cifrões, prenunciavam plurais, tais quais felicidades, crianças, flores, férias, entre outros adjetivos venturosos.

O destino se cumpriu, o casal progrediu financeiramente, tinham carros, casa própria, casa de férias. Nasceu a primeira filha. O pai queria batiza-la com o nome de Silvia, a mãe argumentou que já tinha muita gente na familia com essa letra, pai, mãe, e tia. É verdade, a irmã de Sonia chamava-se Solange e não morava na mesma cidade, filha de pais abastados estava sendo educada, desde a mais tenra idade em colégio de freiras, era normalista interna. Solange só vinha anualmente passar férias escolares em casa de seus pais.

Prevaleceu a argumentação da genitora e a criança foi batizada com o nome de Ana.

Coincidiram as férias escolares de Solange com a chegada da sobrinha. Mal chegou em casa, antes mesmo de desfazer as malas, Solange saiu quase correndo para conhecer Aninha. Naquele dia, e todos os demais de suas férias Solange jantou, dormiu, na casa de sua irmã. Solange não saia de perto de sua linda sobrinha. Os laços de amizade com o cunhado se estreitaram naquele período.

Um ano depois Solange retorna definitivamente. Havia concluído seu curso de Magistério. A cidade ganhava mais uma professora. E, que professorinha! Linda, jovem, solteira, caçula de família abastada, um partidão diziam as matronas, esperançosas que um de seus filhos fosse alvo dos encantos de Solange.

Solange começou o exercício do magistério na Escola Municipal; competente, jovial cheia de novidades aprendidas em tradicional colégio de freiras, a todos conquistou.

Dava aulas no período matutino, e no período vespertino Solange visitava a irmã e sobrinha. Jantava lá também e so depois, bem mais tarde, voltava à casa paterna acompanhada pelo cunhado, condição sine qua non, imposta pelo pai de Solange. Não ficava bem uma mocinha andar desacompanhada pelas ruas escuras da cidade, é que naquela época não tinha luz elétrica na localidade.

Nesse meio tempo Sônia engravidou pela segunda vez, e depois mais uma vez, em seguida outra gravidez. Quatro filhos consecutivos. As pessoas se acostumaram a ver Sônia grávida, já nem lembravam-se como ela era antes. Depois desacostumaram de vê-la. Sônia vivia trancafiada em casa cuidando da filharada, eram tantos e tão próximos os nascimentos que quando dava a luz, o antecessor ainda não caminhava.

A amizade entre as irmãs esfriou. Solange não mais freqüntava a casa da irmã. Agora, era o cunhado que freqüentava a casa do sogro, jantava lá, e depois do jantar conversava horas a fio com Solange, no jardim da casa, sob um caramanchão pouco iluminado. Fumavam os dois, e soltavam longas baforadas...

As amigas perguntavam, por quê Solange tão bonita, bem empregada e de família tão boa não casara ainda. Solange desconversava, ainda não encontrara seu par perfeito, talvez não tivesse vocação para o casamento. Culpa da educação rígida impingida pelas freiras: tudo era pecado. As colegas insistiam, devia se preocupar em arranjar um marido, o tempo estava passando, você ja tem vinte e cinco anos...

Pois é, naqueles tempos, as moças casavam-se muito cedo, e ter vinte cincos anos e solteira era quase certo que ficaria pra titia. Vitalina, era assim que eram chamadas as mulheres que por falta de opção, ou por escolha ficavam solteiras.

Certa manhã Solange comparece a diretoria da escola para justificar sua falta no dia anterior. Ontem, não vim, disse ela, porque fui a cidade vizinha casar-me.

- Caaasaaar..., diz a Diretora com uma flexão de voz que não consegue disfarçar a surpresa

- Isso, casei ontem, na cidade vizinha, só no cartório.

- Ahnnnn, com quem?

- Com Alberto.

- Alberto, o irmão de Solano?

- Sim, com Alberto o irmão de Solano.

-Mas ele só tem dezenove anos...

- Olha aí o preconceito, por isso namorávamos em segredo.

- Desculpe, mas é tão inusitado, você que nunca tinha namorado antes e, dizia não ter vocação para o casamento. Onde estão morando.

- Eu na casa de meus pais, ele na casa dos pais dele.

- Com assim?

- Como decidimos casar rapidamente, não deu tempo, ainda , de arrumar nosso ninho.

Semana seguinte ao casamento Alberto decidiu tentar a vida em São Paulo; tinha orgulho, não queria morar na casa do sogro. Quando se estabelecesse viria buscar a esposinha. Isso foi o que Solange contou as amigas, que ainda nem tinham digerido a noticia do casório repentino.

A barriga de Solange cresceu rapidamente. Sete meses depois nasceu uma linda menina. Parto prematuro dizia Solange. A criança foi registrada com o nome de Sol. Por quê Sol, perguntavam-lhe. Acho bonito, é pequeno e forte, Sol e luz, é vida.

Solano, agora duplamente cunhado de Solange, e na ausência de Alberto, redobrou-se em cuidados para com Solange e Sol. Anos seguidos freqüentou a casa de Solange, que por sua vez nunca saiu da casa paterna.

Quando Sol tinha cinco anos foi atender na porta. Era Alberto. Oi, diz Alberto, voce é a Sol? Sim, diz a menina e você quem é? Eu, eu... sou Alberto. Você é muito bonita parece com a minha mãe, sua avó, tem os mesmos cabelos cacheados, olhos cor de mel. Afagou timidamente a cabeça da menina . Chama a sua mãe?

O encontro entre os dois foi frio, mais respeitoso, Alberto pediu o divórcio, disse que vivia maritalmente com uma paulista, já tinha um filho, precisava legalizar a situação. Você entende, não é mesmo?

Solano e Solange continuaram amigos. Só havia um detalhe estranho: Solano não entrava mais na casa do sogro, ficava no jardim embaixo do caramanchão cheiroso, formado pelos jasminzeiros.

No casamento de Sol, Solano entrou, orgulhosamente, de braços dados com sua... sua sobrinha. Alberto continuava morando em São Paulo. Não pode vir ao casamento.

As irmãs Sônia e Solange jamais se voltaram a falar; e eu não entendo porquê...


quarta-feira, 26 de março de 2008

Se eu fosse...


Se eu fosse :

...hora do dia... Seria madrugada, onde se pode marcar encontro comigo mesma e, não ser interrompida.

…direção... se eu fosse direção apontaria para os céus.

...móvel... uma estante cheinha de livros.

...líquido... sangue que corre nas veias, ou armazenado nos bancos de sangue.

...pecado... eu sou pecado, pecadora.

...pedra... Eu gostaria de ser uma pedra milenar, e ai me esqueceria que sou da estirpe de Caim...

...árvore... Carvalho com certeza.

...flor... É dificil escolher uma só. Talvez as camélias do Leblon. Ou as flores do mal de Baudellaire. Ou as singelas quaresmeiras de minha cidade.

...clima... frio, convidativo a um chá com bolinho de chuva, e a leitura de um bom livro.

...instrumento musical... Lira dos Vinte Anos, de Álvares de Azevedo , ou Um violino de trezentos anos....

...elemento... água…

...cor... azul belleza (a cor dos olhos da minha neta).

...animal... se fosse animal queria ser gazela.

...som... de muitas águas.

...música... Música ao Longe -
Érico Veríssimo, ou música clássica.

...sentimento... amor."O amor é o segredo da vida." ( H. Drumond - o Dom Supremo). . Agora, pois, permaneçam a fé, a esperança e o amor, esses três, mas o maior destes é o amor.

...livro... Biblia Sagrada. (A Bíblia é, também, literatura pura, amor, sexo, morte, drama, traição, paixão, crime e castigo, politica e governo, ascensão e queda. Mas é principalmente a historia da queda e, redenção do homem através do plano salvitico na cruz por Jesus Cristo).

...comida... pão. Melhor, cinco pães e dois peixinhos e, alimentar mais de cinco mil pessoas de uma só vez.

...lugar... a praia de Tamandaré/PE…

...cheiro... priprioca

...palavra... perdão.

...verbo... Amar - verbo intransitivo. (Mario de Andrade)

...objecto... colcha de retalho

...parte do corpo... Se o corpo todo fosse uma parte só, não existiria corpo. De fato, existem muitas partes, mas um só corpo. Portanto, o olho não pode dizer para a mão: "Eu não preciso de você." E a cabeça não pode dizer para os pés: "Não preciso de vocês. O fato é que as partes do corpo que parecem ser as mais fracas são as mais necessárias, e aquelas que achamos menos honrosas são as que tratamos com mais honra. E as partes que parecem ser feias recebem um cuidado especial. Biblia Sagrada.

...expressão facial...Surpresa. Eu sempre me surpreendo com as pessoas, com o mundo, com a tecnologia, com a natureza, com um recém nascido.

...desenho animado...Piu - Piu - Eu acho que ví um gatinho...

...um filme... O pagador de promessas - baseado na obra de Dias Gomes

...número... 25/12 - É natal...

estação... primavera ( Pois eis que já passou o inverno; a chuva cessou, e se foi; aparecem as flores na terra; já chegou o tempo de cantarem as aves, e a voz da rola ouve-se em nossa terra Ct 2.12).

...frase... “Oh Mestre, fazei de mim um instrumento de tua paz" ( Francisco de Assis)

http://meiolua.blogspot.com/2007_05_01_archive.html - a dona do blog sugeriu que copiasse as perguntas e as respondesse. Ela iria visitar o blog. Bem vinda meiolua! Gostou? Volte sempre!

crônica - Angústia


Oh, a angústia invencível que me prostra invade e me devora ...
(Poema de JG de Araujo Jorge, Cânticos – 1949)


Tinha uns três anos. Talvez quatro. Acordei numa cama de casal, achei-a muito grande; um feixe de luz do sol atravessava o vidro da janela e formava um prisma multicor em minha direção. Tentei apanhá-lo. Minhas mãozinhas atravessavam-no sem contudo apreendê-lo. Desisti da captura. Olhei ao redor não reconheci aquele ambiente, claro, amplo e silencioso, e estava sozinha. Senti uma inquietação dentro de mim, era como se tivesse acabado de surgir na terra, com um monte de perguntas que eu não sabia formular..

Minha mãe se aproximou sorrindo, sua presença não me acalmou, não dissipou minhas inquietações...Quem sou eu? Na verdade não fiz a pergunta, mas o sentimento de angústia que senti naquela manhã, nunca mais saiu de mim.

Guardei esse momento na minha mente, e as vezes tento reconstruí-lo e explica-lo. Por quê a impressão que não conhecia aquela casa, aquela quarto, e aquela cama? Será que estavámos hospedadas em casa de amigos, parentes, ou mesmo em um hotel? Será que eu realmente não conhecia aquele ambiente, e lá estava pela primeira vez?

E por quê aquele sentimento que era meu primeiro dia no planeta terra, e portanto, era a primeira vez que via aquela mulher que dizia: mamãe vai te dar um leitinho. Eu não tinha nenhuma lembrança anterior, uma página de papel em branco onde seria escrita minha história...

Alguém poderia questionar: por quê você não pergunta a sua mãe? Não posso.Ela morreu quando eu tinha seis anos.

Ah, a luz multicor do prisma ainda me encanta, e tal qual quando era criança atravesso minhas mãos e tento apreendê-la. Em vão.

A felicidade é como a luz colorida de um prisma, você pode vê-la, observar suas multiplas cores, admirar-se, gozar dela por breves momentos. Mas depois ela se vai... Igual a um feixe de luz você jamais poderá apreendê-la!

Roselee Salles

segunda-feira, 24 de março de 2008

Poetrix - Efeito borboleta


Belle foi morar no Rio,

engordei dois quilos,

Meu escritório ficou vazio...

Haikai - Kigo: Semente


Estação pluviosa
na terra humosa -
a semente acorda.

Poetrix - Algodão doce


Leve e rosa
Ah, se avida fosse...
Algodão doce!

sexta-feira, 21 de março de 2008

Beijos da Vovó


Eu gosto de olhar a face
Desta bonita criança.
Porque afinal, ó Belle,
Cintilas como as estrelas,
Floresces como esperança.
Como deslumbro-me ao vê-la,
Dentro de mim se introjeta
A luz multicor dos prismas
E batem asas as cismas
Qual passarada irrequieta.






quarta-feira, 19 de março de 2008

TÉO, O ATEU




“Porque agora vemos por espelho em enigma, mas então veremos face a face; agora conheço em parte, mas então conhecerei como também sou conhecido” (1 Co 13:12).






Seu Téo não acreditava em Deus, e gostava de falar sobre isso. Como prova de sua convicção repetia invariavelmente: alguém já viu Deus, ouviu sua voz, tocou nele?


Alguns teistas replicavam que a lua, as estrelas, o mar,o sol, a chuva,os dias que se sucedem, o universo, o desabrochar de uma flor,são provas da existência de Deus.


Seu Téo contra argumentava, eu acredito na lua, nas estrelas, no mar, na chuva porque os vejo, ou toco, ou sinto seu cheiro...,e o universo nasceu de uma grande explosão, os dias se sucedem por causa do movimento da terra, o próprio homem é resultado da evolução das especies.Eu em outras eras fui macaco, um tal de Darwin explica isso muito bem...


Todas as manhãs ocorriam tais embates, no local de trabalho de seu Téo - uma sapataria, onde ele confeccionava alpargatas e botinas. Diga-se de passagem, que sua produtividade não era abalada pelos debates, de cabeça baixa enquanto cortava, costura suas peças, ou batia pregos, Seu Téo discorria mansamente. E que fique claro, Seu Téo era muito educado e inteligente, tinha estudado em colégio de padres. Na sua modesta casa tinha num canto da sala uma estante com livros amarelecidos pelo tempo, era neles que seu Téo buscava apoio para sua descrença.


Aquele local de trabalho e de debates era frequentado por três grandes amigos de seu Téo: um crente fervoroso, um espirita, e um terceiro que não sabemos, ou identificamos, seu credo, creio que era um cético, pois apenas ria-se com o canto dos labios, ora meneava a cabeça em sinal de aprovação ou de desaprovação.


Eventualmente apareciam clientes, ou interessados nos debates, ou ainda alguém que tinha curiosidade em conhecer um ateu, e ficavam impressionados com o tom respeitoso dos debates. Algumas ocasiões havia só perguntas, a parte adversa pedia respeitosamente para responder só dia seguinte. No dia seguinte, certamente haveria expectadores.


Seu Téo, se explicava: Nunca vi, não sei onde mora, nunca fomos apresentado, nesses meus sessenta anos de idade nunca ouvi falar de alguém que o hospedou, recebeu carta, telegrama, ou telefonema de Deus, enfim ninguém nunca o viu.


Os moradores do povoado tinham uma certa complacência com Seu Téo, seus pais faleceram quando ainda era criança, quando estudante interno fora muito reprimido pelos padres, não casara, nem tivera filhos...


Numa dessas manhãs pasmacentas, uns gritos aflitos quebraram a monotonia rotineira. Todos saíram do interior de suas residencias, ou das lojas e acorreram em direção aos gritos. Encontraram um pequeno grupo de homens; cachorro louco, diziam todos ao mesmo tempo, vamos atrás, cachorro louco...

Alguns homens apareceram com suas velhas espingardas, revolveres e até porretes e sairam em disparada na direção que supostamente o cachoro louco tomara. Seu Teo juntou-se ao grupo.

Olha lá, é cachorro, o cachorro louco...Alguém dispara um tiro e,...oh céus, a bala se alojou no pé de seu Téo.

Atônito, Seu Téo, choraminga: por quê comigo? Depois eleva a voz: Ai Deus, sempre fui bom filho, bom amigo, bom empregado um bom cidadão, por quê comigo?

Passadas as primeiras horas, já medicado, seus três inseparaveis amigos foram visitá-lo.

Então Téo, acreditas em Deus, pois hoje tu o chamaste em alto e bom som.

- Eu o Chamei?

- Sim, todos ouviram.

- Força de expressão...

- Quer dizer que, você é o mesmo velho ranzinza de sempre, e que nem mesmo o risco de morte o fez mudar de idéia a respeito de Deus.

- Eu só acredito naquilo que pode passar pelos meus sentidos, não vi, não ouvi, não toquei Deus.

- Vamos mudar de assunto disse o cético. Sentiste muita dor?

- Ah, é impossivel descrever a dor, a primeira impressão é que fui atingido por uma montanha de ferro, e depois o calor e o ardor é tamanho que parece quer atolei o pé numa lava incandescente de um vulcão.

- Pois eu acho, diz o crente, que não há dor nenhuma.

- O quê, estás a duvidar de minha palavra? Se digo que estou sentindo dor, é verdade.

- Vistes a dor, sua cor, seu tamanho?

- Claro que não.

- E como tens certeza que a dor existe?

- Eu posso senti-la.

Fez-se silêncio profundo na saleta.

Após alguns minutos de silêncio Seu Téo diz : entendi, muito convincente seu argumento, me curvo.

Os amigos de Seu Téo sempre tão comedidos não se contém de alegria, dão urras e vivas. Viva o cachorro louco! Viva a bala que atingiu o pé de Seu Téo! Viva a dor, que Seu Téo sente, e só ele sente! Viva Deus, que não vemos, mais o sentimos!

Alto lá, vamos parando, não exagerem... diz seu Téo.

- Mas o Senhor acabou confessando que crê. Se crê não é mais ateu ....

- E verdade, não sou mais ateu. Agora sou Agnóstico.

- Agui o quê?

- A- G-N-O-S-T-I-C-O!

 
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