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sexta-feira, 18 de setembro de 2009

Oh, o homem



Oh, o homem é um deus quando sonha, mas um mendigo quando reflete; e, quando o entusiasmo acaba, ele fica ali parado, como um filho desgarrado, expulso da casa paterna, observando o miserável centavo que a compaixão jogou em seu caminho


Johann Christian Friedrich Hölderlin (Lauffen am Neckar, 20 de março de 1770 — Tübingen, 7 de junho de 1843), poeta lírico e romancista alemão.

sexta-feira, 14 de agosto de 2009

Eu sou a minha alma.


Quadro de David que representa a morte de Sócrates

“Às vésperas da execução de Sócrates, seus amigos finalmente conseguiram subornar o carcereiro. Críton, o mais impetuoso dos discípulos entrou na cadeia e disse ao mestre:
- Foge depressa, Sócrates!
- Fugir, por quê? - perguntou o preso.
- Ora, não sabe que amanhã vão matar você?
- Matar-me? A mim? Ninguém pode me matar!
- Sim, amanhã você terá de beber a taça de cicuta mortal - insistiu Críton. - Vamos, mestre, foge depressa para escapar da morte!
- Meu caro amigo Críton - respondeu o condenado - que mau filósofo você é! Pensar que um pouco de veneno possa dar cabo de mim...”
“Depois, puxando com os dedos a pele da mão, Sócrates perguntou:
- Críton, você acha que isso aqui é Sócrates? - E, batendo com o punho no osso do crânio, acrescentou: - Você acha que isso aqui é Sócrates?... Pois é isso que eles vão matar, este invólucro material; mas não a mim. Eu sou a minha alma. Ninguém pode matar Sócrates!...
E ficou sentado na cadeia aberta, enquanto Críton se retirava chorando, sem compreender aquilo que ele considerava teimosia ou um idealismo do mestre.”
Ainda indagado de suas últimas impressões, Sócrates revelou o que lhe ia à mente, coerente com tudo que pregara e com a sua íntima convicção na imortalidade da alma:
“Todo homem que chega onde vou agora, quão enorme esperança não terá de que possuirá ali o que buscamos nesta vida, com tanto trabalho! Este é o motivo pelo qual esta viagem que ordenam me traz tão doce esperança.”

quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

Quando o circo pegar fogo.....




Num teatro ocorreu um início de incêndio nos bastidores. O palhaço veio ao palco avisar o público. Acharam que era uma piada e ficaram aplaudindo; ele repetiu o aviso; as gargalhadas tornaram-se ainda mais fortes. Assim, eu penso que o mundo vai naufragar sob júbilo geral de cabeças engraçadas que hão de crer tratar-se de uma piada.

Diapsalmata, de Sören Kierkegaard - escritor, filósofo e teólogo dinamarquês do séc. XIX

sábado, 20 de setembro de 2008

Aforismos para a Sabedoria de Vida

A vida intelectual ocupará, de preferência, o homem dotado de capacida­des espirituais, e adquire, mediante o incremento inin­terrupto da visão e do conhecimento, uma coesão, uma intensificação, uma totalidade e uma plenitude cada vez mais pronunciadas, como uma obra de arte amadurecen­do aos poucos.

Em contrapartida, a vida prática dos ou­tros, orientada apenas para o bem-estar pessoal, capaz de incremento apenas em extensão, não em profundeza, contrasta em tristeza, valendo-lhes como fim em si mesmo, enquanto para o homem de capacida­des espirituais é apenas um meio. A nossa vida prática, real, quando as paixões não a movimentam, é tediosa e sem sabor; mas quando a movi­mentam, logo se torna dolorosa.

Por isso, os únicos feli­zes são aqueles aos quais coube um excesso de intelec­to que ultrapassa a medida exigida para o serviço da sua vontade. Pois, assim, eles ainda levam, ao lado da vida real, uma intelectual, que os ocupa e entretém ininter­ruptamente de maneira indolor e, no entanto, vivaz. Pa­ra tanto, o mero ócio, isto é, o intelecto não ocupado com o serviço da vontade, não é suficiente; é necessário um excedente real de força, pois apenas este capacita a uma ocupação puramente espiritual, não subordinada ao ser­viço da vontade. Pelo contrário, o ócio destituído de ocupação intelectual é, para o homem, morte e sepultura em vida (Séneca).


Ora, conforme esse excedente seja pe­queno ou grande, haverá inúmeras gradações daquela vida intelectual levada ao lado da real, desde o mero tra­balho de colecionar e descrever insetos, pássaros, mine­rais, moedas, até as mais elevadas realizações da poesia e da filosofia. Tal vida intelectual protege não só contra o tédio, mas também contra as suas consequências pernicio­sas. Ela é um escudo contra a má companhia e contra os muitos perigos, infortúnios, perdas e dissipações em que se tropeça quando se procura a própria felicidade apenas no mundo real.

Para mim, por exemplo, a minha filoso­fia nunca rendeu nada, mas poupou-me de muita coisa. O homem normal, pelo contrário, em relação aos de­leites de sua vida, restringe-se às coisas exteriores, à pos­se, à posição, à esposa e aos filhos, aos amigos, à socie­dade, etc. Sobre estes se baseia a sua felicidade de vida, que desmorona quando os perde ou por eles se vê iludi­do.

Podemos expressar essa relação dizendo que o seu centro gravitacional é exterior a ele. Justamente por isso, tem sempre desejos e caprichos cambiantes. Se os seus meios lhe permitirem, ora comprará casas de campo ou cava­los, ora dará festas ou fará viagens, mas, sobretudo, os­tentará grande luxo, justamente porque procura nas coi­sas de todo o tipo uma satisfação proveniente do exterior. Como o homem debilitado que, por meio de consom­més, canjas e drogas farmacêuticas, espera obter saúde e robustez, cuja verdadeira fonte é a própria força de vida.

Para não passarmos desde já ao outro extremo, coloque­mos ao seu lado uma pessoa dotada de capacidades es­pirituais não exatamente eminentes, mas que ultrapas­sem a escassa medida comum. Veremos tal pessoa prati­car como diletante uma bela arte, ou uma ciência como a botânica, a mineralogia, a física, a astronomia, a história e semelhantes, e nelas encontrar de imediato uma grande parte do seu deleite, nelas se reabastecendo quando es­tancam aquelas fontes exteriores ou quando não mais a satisfazem­.

(Arthur Schopenhauer)


sexta-feira, 5 de setembro de 2008


Se eu pensasse que os discursos e os argumentos estão para o entendimento como os diversos tipos de alimentos estão para os diferentes paladares e estômagos, alguns nauseantes e destrutivos para uns e agradáveis e revigorantes para outros, então não pensaria mais em livros e em estudo, e julgaria o meu tempo melhor empregue em coisas triviais que não ler e escrever.
Mas estou convencido do contrário: sei que existe verdade em oposição à falsidade, que pode ser descoberta se as pessoas quiserem e que vale a pena procurá-la, porque não é apenas a mais valiosa mas também a mais agradável coisa do mundo.

John Locke


sábado, 2 de agosto de 2008

Somos todos filósofos


Não se pode pensar em nenhum homem que não seja também filósofo, que não pense, precisamente porque pensar é próprio do homem como tal.

Antonio Gramsci


sexta-feira, 1 de agosto de 2008


P
rova de um talento superior.



Não tenha em alta conta aquele que nunca se opõe a você!

A atitude não mostra que ele o ama, mostra que ele ama a si próprio.
Não se deixe enganar por lisonjas: não as recompense, condene-as!!!

Considere uma honra ser criticado… em especial por aqueles que falam mal de gente boa!

Você deve se afligir quando suas ações agradam a todos; é um sinal de que não são boas… pois a perfeição pertence a poucos!


Baltasar Gracián
A Arte da Sabedoria Mundana!


sexta-feira, 25 de julho de 2008

O Mito da Caverna de Platão


Imaginemos uma caverna subterrânea onde, desde a infância, geração após geração, seres humanos estão aprisionados. Suas pernas e seus pescoços estão algemados de tal modo que são forçados a permanecer sempre no mesmo lugar e a olhar apenas para a frente, não podendo girar a cabeça nem para trás nem para os lados. A entrada da caverna permite que alguma luz exterior ali penetre, de modo que se possa, na semi-obscuridade, enxergar o que se passa no interior.
A luz que ali entra provém de uma imensa e alta fogueira externa. Entre ela e os prisioneiros - no exterior, portanto - há um caminho ascendente ao longo do qual foi erguida uma mureta, como se fosse a parte fronteira de um palco de marionetes. Ao longo dessa mureta-palco, homens transportam estatuetas de todo tipo, com figuras de seres humanos, animais e todas as coisas.
Por causa da luz da fogueira e da posição ocupada por ela, os prisioneiros enxergam na parede do fundo da caverna as sombras das estatuetas transportadas, mas sem poderem ver as próprias estatuetas, nem os homens que as transportam.
Como jamais viram outra coisa, os prisioneiros imaginam que as sombras vistas são as próprias coisas. Ou seja, não podem saber que são sombras, nem podem saber que são imagens (estatuetas de coisas), nem que há outros seres humanos reais fora da caverna. Também não podem saber que enxergam porque há a fogueira e a luz no exterior e imaginam que toda a luminosidade possível é a que reina na caverna.
Que aconteceria, indaga Platão, se alguém libertasse os prisioneiros? Que faria um prisioneiro libertado? Em primeiro lugar, olharia toda a caverna, veria os outros seres humanos, a mureta, as estatuetas e a fogueira. Embora dolorido pelos anos de imobilidade, começaria a caminhar, dirigindo-se à entrada da caverna e, deparando com o caminho ascendente, nele adentraria.
Num primeiro momento, ficaria completamente cego, pois a fogueira na verdade é a luz do sol, e ele ficaria inteiramente ofuscado por ela. Depois, acostumando-se com a claridade, veria os homens que transportam as estatuetas e, prosseguindo no caminho, enxergaria as próprias coisas, descobrindo que, durante toda sua vida, não vira senão sombras de imagens (as sombras das estatuetas projetadas no fundo da caverna) e que somente agora está contemplando a própria realidade. Libertado e conhecedor do mundo, o priosioneiro regressaria à caverna, ficaria desnorteado pela escuridão, contaria aos outros o que viu e tentaria libertá-los.
Que lhe aconteceria nesse retorno? Os demais prisioneiros zombariam dele, não acreditariam em suas palavras e, se não conseguissem silenciá-lo com suas caçoadas, tentariam fazê-lo espancando-o e, se mesmo assim, ele teimasse em afirmar o que viu e os convidasse a sair da caverna, certamente acabariam por matá-lo.


Extraído do livro "Convite à Filosofia" de Marilena Chaui.

quinta-feira, 24 de julho de 2008

coisas em si

Tenho assistido nessa ultima semana no Programa do JÔ, uma enquete sobre o que é a coisa em si. As respostas são as mais diversas, algumas hilárias, e muitos respondem não sei. Confesso que se tivesse sido eu a interpelada provavelmente responderia: não sei .
Bem obrou o Ministro da Educação em reintroduzir o estudo da filosofia no ensino médio....

coisas em si - (expressão de origem Kantiana) são as coisas que existem mas não podem ser experimentadas pelos seres humanos, pois não podem ser intuídas.
Segundo Kant os seres humanos não podem saber da essência das coisas-em-sí, mas saber apenas das coisas segundo nossos esquemas mentais nos permitem apreender a experiência, este afirma a impossibilidade da consciência alcançar a Coisa-em-si, isto é, a realidade não fenomênica. ( Fenômeno é a definição de qualquer evento observável).

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Nunca eu tivera querido

dizer palavra tão louca:

bateu-me o vento na boca,

e depois no teu ouvido.

Levou somente a palavra,

deixou ficar o sentido.


Cecilia Meireles


 
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