terça-feira, 3 de novembro de 2009

Amigos ( Oscar Wilde )



"Escolho meus amigos não pela pele ou outro arquétipo qualquer, mas pela pupila. Tem que ter brilho questionador e tonalidade inquietante. A mim não interessam os bons de espírito nem os maus de hábitos. Fico com aqueles que fazem de mim louco e santo. Deles não quero resposta, quero meu avesso. Que me tragam dúvidas e angústias e agüentem o que há de pior em mim. Para isso, só sendo louco. Quero-os santos, para que não duvidem das diferenças e peçam perdão pelas injustiças. Escolho meus amigos pela cara lavada e pela alma exposta. Não quero só o ombro ou o colo, quero também sua maior alegria. Amigo que não ri junto não sabe sofrer junto. Meus amigos são todos assim: metade bobeira, metade seriedade. Não quero risos previsíveis nem choros piedosos. Quero amigos sérios, daqueles que fazem da realidade sua fonte de aprendizagem, mas lutam para que a fantasia não desapareça. Não quero amigos adultos nem chatos. Quero-os metade infância e outra metade velhice. Crianças, para que não esqueçam o valor do vento no rosto e velhos, para que nunca tenham pressa. Tenho amigos para saber quem eu sou. Pois os vendo loucos e santos, bobos e sérios, crianças e velhos, nunca me esquecerei de que "normalidade" é uma ilusão imbecil e estéril.''

Oscar Wilde

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

O valor do silencio


Se soubéssemos quantas e quantas vezes as nossas palavras são mal interpretadas, haveria muito mais silêncio neste mundo.

Oscar Wilde


quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Crepusculo


Teus olhos, borboletas de ouro, ardentes
Borboletas de sol, de asas magoadas,
Pousam nos meus, suaves e cansadas
Como em dois lírios roxos e dolentes…


E os lírios fecham… Meu amor não sentes?
Minha boca tem rosas desmaiadas,
E a minhas pobres mãos são maceradas
Como vagas saudades de doentes…


O silêncio abre as mãos… entorna rosas…
Andam no ar carícias vaporosas
Como pálidas sedas, arrastando…


E a tua boca rubra ao pé da minha
É na suavidade da tardinha.
Um coração ardente palpitando…


Florbela Espanca - A mensageira das violetas




terça-feira, 27 de outubro de 2009

Solidão



A solidão é como uma chuva.
Ergue-se do mar ao encontro das noites;
de planícies distantes e remotas
sobe ao céu, que sempre a guarda.
E do céu tomba sobre a cidade.


Cai como chuva nas horas ambíguas,
quando todas as vielas se voltam para a manhã
e quando os corpos, que nada encontraram,
desiludidos e tristes se separam;
e quando aqueles que se odeiam
têm de dormir juntos na mesma cama:

então, a solidão vai com os rios...

Rainer Maria Rilke, in "O Livro das Imagens"
Tradução de Maria João Costa Pereira

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

Milagres acontecem. Você duvida?



Um carrinho com um bebé de seis meses resvalou para uma linha de comboio em Melbourne, na Austrália, fazendo prever o pior. Apesar do susto, a criança sobreviveu quase sem ferimentos.

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

Revelação


Composição: Clodô e Clésio

Um dia vestido
De saudade viva
Faz ressuscitar
Casas mal vividas
Camas repartidas
Faz se revelar

Quando a gente tenta
De toda maneira
Dele se guardar
Sentimento ilhado
Morto, amordaçado
Volta a incomodar


terça-feira, 20 de outubro de 2009

a la insolente muerte

EL PUENTE

http://ronaldorossi.com.br/blog/wp-content/uploads/2009/02/pessego-300x225.jpg

Para cruzalo o para no cruzarlo

ahí está el puente

en la otra orilla alguien me espera

con un durazno y un país

traigo conmigo ofrendas desusadas

entre ellas un paraguas de ombligo de madera

un libro con los pánicos en blanco

y una guitarra que no sé abrazar

vengo con las mejillas del insomnio

los pañuelos del mar y de las paces

Ias tímidas pancartas del dolor

las liturgias del beso y de la sombra

nunca he traído tantas cosas

nunca he venido con tan poco

ahí esta el puente

para cruzarlo o para no cruzarlo

yolIo voy a cruzar

sin prevenciones

en la otra orilla alguien me espera

con un durazno y un país

(De Preguntas al azar – 1984-1985)

SOY MI HUESPED

Soy mi huésped nocturno

en dosis mínimas

y uso la noche

para despojarme

de la modestia

y otras vanidades

aspiro a ser tratado

sin los prejuicios

de la bienvenida

y con las cortesías

del silencio

no colecciono padeceres

ni los sarcasmos

que hacen mella

soy tan solo

mi huésped

y traigo una paloma

que no es prenda de paz

sino paloma

como huésped

estrictamente mío

en la pizarra de la noche

trazo una línea

blanca

(De La Vida ese Parentesis)


POR QUE CANTAMOS

Si cada hora viene con su muerte

si el tiempo es una cueva de ladrones

los aires ya no son los buenos aires

la vida es nada más que un blanco móvil

usted preguntará por qué cantamos

si nuestros bravos quedan sin abrazo

la patria se nos muere de tristeza

y el corazón del hombre se hace añicos

antes aún que explote la vergüenza

usted preguntará por qué cantamos

si estamos lejos como un horizonte

si allá quedaron árbores y cielo

si cada noche es siempre alguna ausencia

y cada despertar un desencuentro

usted preguntará por qué cantamos

cantamos porque el río está sonando

y cuando suena el río / suena el río

cantamos porque el cruel no tiene nombre

y en cambio tiene nombre su destino

(De Retratos y Canciones)

EN PIE

Sigo en pie

por latido

por costumbre

por no abrir la ventana decisiva

y mirar de una vez a la insolente

muerte

esa mansa

dueña de la espera

sigo en pie

por pereza en los adioses

cierre y demolición

de la memória

no es un mérito

otros desafían

la claridad

el caos

o la tortura

seguir en pie

quiere decir coraje

o no tener

donde caerse

muerto

(De A Ras de Sueño, 1967)

Mario Bennedeti

Apresentação de slides

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