Terminado o Carnaval, eis que nos encontramos com os seus melancólicos despojos: pelas ruas desertas, os pavilhões, arquibancadas e passarelas são uns tristes esqueletos de madeira; oscilam no ar farrapos de ornamentos sem sentido, magros, amarelos e encarnados, batidos pelo vento, enrodilhados em suas cordas; torres coloridas, como desmesurados brinquedos, sustentam-se de pé, intrusas, anômalas, entre as árvores e os postes. Acabou-se o artifício, desmanchou-se a mágica, volta-se à realidade. "Ved de quán poco valor dizia Jorge Manrique. E no século XV! E falando de coisas de verdade! Mas os homens gostam da ilusão. E já vão preparar o próximo Carnaval...
À chamada realidade. Pois, por detrás disto que aparentamos ser, leva cada um de nós a preocupação de um desejo oculto, de uma vocação ou de um capricho que apenas o Carnaval permite que se manifestem com toda a sua força, por um ano inteiro contida.
Somos um povo muito variado e mesmo contraditório: o que para alguns parecerá defeito é, para outros, encanto. Quem diria que tantas pessoas bem comportadas, e aparentemente elegantes e finas, alimentam, durante trezentos dias do ano, o modesto sonho de serem ursos, macacos, onças, gatos e outros bichos? Quem diria que há tantas vocações para índios e escravas gregas, neste país de letrados e de liberdade?
Por outro lado, neste chamado país subdesenvolvido, quem poderia imaginar que há tantos reis e imperadores, princesas das Mil e Uma Noites, soberanos fantásticos, banhados em esplendores que, se não são propriamente das minas de Golconda, resultam, afinal, mais caros: pois se as gemas verdadeiras têm valor por toda a vida, estas, de preço não desprezível, se destinam a durar somente algumas horas.
Neste país tão avançado e liberal — segundo dizem — há milhares de corações imperiais, milhares de sonhos profundamente comprimidos mas que explodem, no Carnaval, com suas anquinhas e casacas, cartolas e coroas, mantos roçagantes (espanejemos o adjetivo), cetros, luvas e outros acessórios.
Aliás, em matéria de reinados, vamos do Rei do Chumbo ao da Voz, passando pelo dos Cabritos e dos Parafusos: como se pode ver no catálogo telefônico. Temos impérios vários, príncipes, imperatrizes, princesas, em etiquetas de roupa e em rótulos de bebidas. É o nosso sonho de grandeza, a nossa compensação, a valorização que damos aos nossos próprios méritos...
Mas, agora que o Carnaval passou, que vamos fazer de tantos quilos de miçangas, de tantos olhos faraônicos, de tantas coroas superpostas, de tantas plumas, leques, sombrinhas...?
Son las cosas tras que andamos
Y corremos..."
sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010
Depois do Carnaval - Cecilia Meireles
quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010
Janela da Alma - Saramago
[...] Mateus. 6:22,23-
domingo, 14 de junho de 2009
ALVARO VELLOSO DE CARVALHO
No. 07 - 28/04/00
Confesso-me surpreso com a polêmica causada pela minha afirmação de que não gosto de gays. Não há nada de inusitado nessa opinião - afinal, ela é a mesma de mais de dois terços da humanidade, até porque as três grandes religiões (judaísmo, cristianismo e islamismo) condenam, expressamente, em seus textos sagrados, as práticas "homossexuais" (já expliquei minha objeção a esse termo). Por que, então, essa polêmica?
Ah, porque ficou feio não gostar de homossexuais. Ficou feio até mesmo chamá-los de "viados" - termo que nada tem a ver com o animal, mas é uma redução de "transviados". Ficou feio achar que a prática da sodomia é moralmente errada, apesar da opinião em contrário das três mais abalizadas fontes de ensinamentos e mandamentos morais da humanidade. Aliás, não ficou feio achar ou pensar tudo isso: ficou feio dizer. Não pega bem socialmente. Ficou tão feio que, já contei aqui, as agências internacionais de notícias, que fizeram tanto escândalo pelo assassinato brutal do rapaz gay Matthew Shepard, assassinato que nada teve a ver com fatores sexuais, e sim com uma briga por causa de dinheiro, essas mesmas agências fizeram de tudo para esconder o assassinato muito mais brutal de um menino de 13 anos por um casal gay, que matou o menino por asfixia depois de tê-lo dopado e submetido a diversos "jogos sexuais". E um dos irresponsáveis disse, chorando, que eles estavam "apenas brincando".
Não, isso não é "notícia". Não é notícia porque o estilo de vida gay assumiu um status sacrossanto, sob as bênçãos de ONGs, entidades internacionais, filmes e séries de TV. Não é notícia porque a repugnante prática da sodomia entre machos ganhou ares de "opção sexual" no mesmo nível da prática que garante a continuidade da espécie. E antes que algum imbecil responda que ninguém faz sexo pensando apenas em procriar, explico: a motivação subjetiva do sexo heterossexual pode não ser a procriação, mas sua motivação objetiva é; acabem com o intercurso heterossexual, e acabará a humanidade; acabem com o "homossexualismo", e não fará a menor diferença.
Neste ponto, acho que devo prestar um esclarecimento, válido especialmente no Brasil, onde ninguém concebe nada fora da ação estatal e onde toda idéia é vista como um projeto de lei em potencial. Não estou dizendo que as práticas homossexuais devam ser proibidas pelo Estado, ou que o Estado deva criar uma secretaria de treinamento psicológico obrigatório para gays; muito menos estou dizendo que alguém deva sair às ruas batendo em gays. O Estado não tem nada a ver com o assunto, e um erro moral não é justificativa para agressões físicas.
Estou dizendo apenas que eu e qualquer pessoa de bem estamos de saco cheio dessa transformação de um tesão anal numa religião leiga, com direito a panteão de santos e lista de excomungados. Já estou de saco cheio das políticas de privilégios para gays, de sexólogas dizendo a adolescentes que eles devem "experimentar de tudo", das manifestações ridículas de "orgulho gay", quando é óbvio que não há nada de que se orgulhar no caso. Já estou de saco cheio de ver os pacientes de AIDS ser tratados como vítimas de um vírus, e não do próprio estilo de vida promíscuo. E, principalmente, estou de saco cheio dessas passeatas e manifestações que pretendem que a Igreja negue o Evangelho para atender a cretinos que não conseguem conter o próprio tesão anal - cretinos que, inexplicavelmente, são gays e não vêem a hora de entrar para uma religião que condena os gays, ou que escolhem um pedaço da religião para acreditarem e jogam fora todo o resto, e mesmo assim querem que a religião os aceite.
E que ninguém venha com o papo de que nem todos os gays são promíscuos, porque todos nós sabemos que os não-promíscuos são minoria. Essa mania de pensar como se não soubéssemos o que sabemos está na origem de toda desonestidade intelectual, e contamina toda essa discussão. Não venham com essa para cima de mim. Especialmente depois da matéria no caderno feminino do jornal O Globo de sábado passado, em que o repórter revelava que o novo movimento dos gays americanos chama-se barebacking, e consiste em ir a festas gays e ficar, como diz o nome, de "costas nuas" para quantos vierem e quiserem. O repórter do Globo foi incapaz de ver qualquer problema moral no caso: viu apenas um excessivo risco de contaminação por HIV, por causa da ausência da camisinha. É precisamente dessa maluquice moral que estou falando.
fonte:oindividuo.com/alvaro/alvaro7.htm -
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PS Caro Álvaro faço minhas as tuas sábias palavras. E me desculpe por usar o seu texto sem te consultar, eu bem que tentei, mas não consegui localizar teu endereço.
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Não sofro de homofobia.
Deus aborrece o pecado, mas ama o pecador. Eu também.....
Hoje em São Paulo Marcha do Orgulho (???????) Gay
sábado, 23 de maio de 2009

Geralmente, quando detestamos alguma coisa nos outros é porque a sentimos em nós mesmos. Não nos aborrecem os defeitos que não temos
Miguel Unamuno
sexta-feira, 8 de maio de 2009
There was a time when men were kind
I dreamed a dream in time gone by
But the tigers come at night
He slept a summer by my side
And still I dream he’ll come to me
I had a dream my life would be
clique em
terça-feira, 17 de fevereiro de 2009
Viajar
"A maior aventura de um ser humano é viajar,
E a maior viagem que alguém pode empreender
É para dentro de si mesmo.
E o modo mais emocionante de realizá-la é ler um livro,
Pois um livro revela que a vida é o maior de todos os livros,
Mas é pouco útil para quem não souber ler nas entrelinhas
E descobrir o que as palavras não disseram..."
quarta-feira, 19 de novembro de 2008
Sonhos.... (Augusto Cury)
Os sonhos não determinam o lugar onde vocês vão chegar, mas produzem a força necessária para tirá-los do lugar em que vocês estão. Sonhem com as estrelas para que vocês possam pisar pelo menos na Lua. Sonhem com a Lua para que vocês possam pisar pelo menos nos altos montes. Sonhem com os altos montes para que vocês possam ter dignidade quando atravessarem os vales das perdas e das frustrações. Bons alunos aprendem a matemática numérica, alunos fascinantes vão além, aprendem a matemática da emoção, que não tem conta exata e que rompe a regra da lógica. Nessa matemática você só aprende a multiplicar quando aprende a dividir, só consegue ganhar quando aprende a perder, só consegue receber, quando aprende a se doar.
Uma pessoa inteligente aprende com os seus erros, uma pessoa sábia vai além, aprende com os erros dos outros, pois é uma grande observadora.
Procurem um grande amor na vida e cultivem-no. Pois, sem amor, a vida se torna um rio sem nascente, um mar sem ondas, uma história sem aventura! Mas, nunca esqueçam, em primeiro lugar tenham um caso de amor consigo mesmos.
Dr. Augusto Cury é publicado em dezenas de países. É considerado um dos autores mais lidos da atualidade
terça-feira, 18 de novembro de 2008
FILHOS BRILHANTES ALUNOS FASCINANTES
(Texto Augusto Cury)
Bons filhos conhecem o prefácio da história de seus pais Filhos brilhantes vão muito mais longe, conhecem os capítulos mais importantes das suas vidas.
Bons jovens se preparam para o sucesso. Jovens brilhantes se preparam para as derrotas. Eles sabem que a vida é um contrato de risco e que não há caminhos sem acidentes.
Bons jóvens têm sonhos ou disciplina. Jovens brilhantes têm sonhos e disciplina. Pois sonhos sem disciplina produzem pessoas frustradas, que nunca transformam seus sonhos em realidade, e disciplina sem sonhos produz servos, pessoas que executam ordens, que fazem tudo automaticamente e sem pensar.
Bons alunos escondem certas intenções, mas alunos fascinantes são transparentes. Eles sabem que quem não é fiel à sua consciência tem uma dívida impagável consigo mesmo. Não querem, como alguns políticos, o sucesso a qualquer preço. Só querem o sucesso conquistado com suor, inteligência e transparência. Pois sabem que é melhor a verdade que dói do que a mentira que produz falso alívio. A grandeza de um ser humano não está no quanto ele sabe mas no quanto ele tem consciência que não sabe.
O destino não é frequentemente inevitável, mas uma questão de escolha. Quem faz escolha, escreve sua própria história, constrói seus próprios caminhos.
Os sonhos não determinam o lugar onde vocês vão chegar, mas produzem a força necessária para tirá-los do lugar em que vocês estão. Sonhem com as estrelas para que vocês possam pisar pelo menos na Lua. Sonhem com a Lua para que vocês possam pisar pelo menos nos altos montes. Sonhem com os altos montes para que vocês possam ter dignidade quando atravessarem os vales das perdas e das frustrações. Bons alunos aprendem a matemática numérica, alunos fascinantes vão além, aprendem a matemática da emoção, que não tem conta exata e que rompe a regra da lógica. Nessa matemática você só aprende a multiplicar quando aprende a dividir, só consegue ganhar quando aprende a perder, só consegue receber, quando aprende a se doar.
Uma pessoa inteligente aprende com os seus erros, uma pessoa sábia vai além, aprende com os erros dos outros, pois é uma grande observadora.
Procurem um grande amor na vida e cultivem-no. Pois, sem amor, a vida se torna um rio sem nascente, um mar sem ondas, uma história sem aventura! Mas, nunca esqueçam, em primeiro lugar tenham um caso de amor consigo mesmos.
Dr. Augusto Cury é publicado em dezenas de países. É considerado um dos autores mais lidos da atualidade
terça-feira, 21 de outubro de 2008
O amor através dos tempos
PS: copiado na caradura do blog Café do Richard...
1. Quem ama não mata.
2. O amor tudo crê, tudo espera, tudo suporta...
3. O amor constrói, não destrói
4. O amor (falso) torna-se um fim em si mesmo. Ele faz de si um fim, um ídolo que ele adora, ao qual ele precisa sujeitar tudo. Ele nutre e cultiva um ideal: ama a si mesmo e nada mais no mundo. O amor espiritual, entretanto, vem de Jesus Cristo e serve somente a Ele; ele sabe que não tem acesso directo às pessoas." (Dietrich Bonhoeffer, Life Together, p.21.)
segunda-feira, 18 de agosto de 2008
Capacidade de Criar
O Sentido da Vida como Capacidade de Criar
Não é só pela consciência de termos capacidade de trabalhar. O trabalho do escritor, do compositor, do artista independe da idade, das condições sociais... O criador espiritual é o único homem que leva para a velhice o sentido da vida, a possibilidade de criar. Já o cientista, se não tem laboratório e cátedra, fica estéril.
Sándor Márai, in 'Diário'
sexta-feira, 15 de agosto de 2008
'As Velas Ardem Até ao Fim'
Sándor Márai, in 'As Velas Ardem Até ao Fim'
quarta-feira, 16 de julho de 2008
É melhor coxear pelo caminho

...
É melhor coxear pelo caminho
do que avançar a grandes passos fora dele.
Porque quem coxeia pelo caminho,
embora avance devagar
enquanto que quem segue fora dele ...
quanto mais corre mais se afasta.
Santo Agostinho
terça-feira, 8 de julho de 2008
Mulheres do topo da Árvore

sábado, 3 de maio de 2008
Nietzsche -
as pontes que precisarás passar,
para atravessar o rio da vida
- ninguém, exceto tu, só tu.
Existem, por certo, atalhos sem números,
e pontes, e semideuses que se oferecerão
para levar-te além do rio;
mas isso te custaria a tua própria pessoa;
tu te hipotecarias e te perderias.
Existe no mundo um único caminho
por onde só tu podes passar.
Onde leva? Não perguntes, segue
domingo, 20 de abril de 2008
O Tamanho das Pessoas (Shakespeare)
Ela é enorme para você, quando fala do que leu e viveu, quando trata você com carinho e respeito, quando olha nos olhos e sorri destravado.
É pequena para você quando só pensa em si mesmo,quando se comporta de uma maneira pouco gentil, quando fracassa justamente no momento em que teria que demonstrar o que há de mais importante entre duas pessoas:A amizade, o respeito, o carinho, o zelo e até mesmo o amor.
Uma pessoa é gigante para você quando se interessa pela sua vida,quando busca alternativas para o seu crescimento, quando sonha junto com você.
É pequena quando desvia do assunto.
Uma pessoa é grande quando perdoa, quando compreende, quando se coloca no lugar do outro, quando age não de acordo com o que esperam dela, mas de acordo com o que espera de si mesma.
Uma pessoa é pequena quando se deixa reger por comportamentos clichês.
Uma mesma pessoa pode aparentar grandeza ou miudeza dentro de um relacionamento, pode crescer ou decrescer num espaço de poucas semanas.
Uma decepção pode diminuir o tamanho de um amor que parecia ser grande.
Uma ausência pode aumentar o tamanho de um amor que parecia ser ínfimo.
É difícil conviver com esta elasticidade:As pessoas se agigantam e se encolhem aos nossos olhos. Nosso julgamento é feito não através de centímetros e metros,mas de ações e reações, de expectativas e frustrações.
Uma pessoa é única ao estender a mão, e ao recolhê-la inesperadamente, se torna mais uma.O egoísmo unifica os insignificantes.
Não é a altura, nem o peso, nem os músculos que tornam uma pessoa grande.....
É a sua sensibilidade sem tamanho..."









